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15 Sep

‘Jamais deixarei Fernando de Noronha’, diz analista ambiental do ICMBio José Martins

“Jamais deixarei Fernando de Noronha”, disse nesta quarta-feira (7) o oceanógrafo e analista ambiental do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) José Martins. Após 30 anos trabalhando no arquipélago, o especialista teve a transferência para o sertão anunciada no dia 1º de agosto pela nova direção do órgão.

“Eu decidi morar na ilha quando tinha 15 anos de idade. Não vai ser emprego público, na pior das hipóteses, que vai me tirar daqui”, afirmou o ambientalista, em entrevista exclusiva ao blog.

O analista, que é criador do Projeto Golfinho Rotador, também informou que caso a direção do ICMBio não mude de posição, deve entrar na Justiça contra a decisão.

José Martins mora em Fernando de Noronha desde 1990 e passou a trabalhar no ICMBio em 2007, após ser aprovado em concurso.

 
Moção de apoio a José Martins foi votada durante reunião do Conselho Gestor do Núcleo Integrado do ICMBio — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

Moção de apoio a José Martins foi votada durante reunião do Conselho Gestor do Núcleo Integrado do ICMBio — Foto: Ana Clara Marinho

Moção de apoio

Nesta quarta-feira (7) foi realizada a primeira reunião do Conselho Gestor do Núcleo Integrado do instituto desde que a nova direção assumiu. Durante o encontro, foi aprovada uma moção de apoio a José Martins.

O pedido foi do ex-chefe do Parque Nacional Marinho de Noronha, Domício Cordeiro, que também foi administrador da ilha. Ele solicitou ainda que a presidência do ICMBio anule a transferência do oceanógrafo.

A moção foi aprovada com sete votos a favor, quatro votos contra e nove abstenções. “As abstenções dos órgãos públicos eram esperadas. Os representantes de outras instituições devem ter os motivos deles, não sei quais foram”, disse Martins, acrescentando que o mais importante é que a moção foi aprovada pela maioria.

A reunião contou com participação de representantes do ICMBio, do governo do estado, da administração da ilha, de associações locais e empresários.

A moção de apoio será encaminhada à presidência do órgão pelo diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do instituto, Marcos Aurélio Venâncio. O diretor veio a Fernando de Noronha para participar da reunião e dá posse ao novo gestor do ICMBio, João Rocha.

“Nós vamos encaminhar para a presidência do ICMBio a moção, notamos que tivemos votos a favor, contra e abstenções, o que demonstra que o processo democrático foi atingido”, afirmou o diretor Marcos Aurélio, acrescentando que não sabe qual a posição final sobre o assunto.

 
O diretor Marcos Aurélio apresentou o novo gestor João Rocha — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

O diretor Marcos Aurélio apresentou o novo gestor João Rocha — Foto: Ana Clara Marinho

 

Novo gestor

O arquiteto João Rocha assume a gestão do instituto em meio à polêmica da transferência do analista ambiental. “Essa é uma decisão da presidência, eu tenho que respeitar. É traumático, as pessoas têm direto de se manifestar, mas não é da minha atribuição decidir sobre o assunto”, explica Rocha.

Na apresentação, o diretor Marcos Aurélio afirmou que o novo representante do ICMBio assume para facilitar os processos. “Por ser de Fernando de Noronha, facilitar processos quer dizer entendimentos e encaminhamentos. Os processos devem ser claros e as necessidades ambientais devem ser expostas para os empreendimentos de maneira que possam ser cumpridas”, disse João Rocha.

Entenda o caso

O analista José Martins, que é oceanógrafo e criador do Projeto Golfinho Rotador, mora em Fernando de Noronha desde 1990. Martins iniciou atividades no ICMBio em 2007, após ser aprovado em concurso público.

No instituto, Martins tem questionado o crescimento do turismo em Fernando de Noronha, que em 2018 recebeu 103 mil visitantes. O ambientalista também é contra a aprovação de novos empreendimentos turísticos de grande porte na ilha.

Após a visita o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, à ilha, em julho, a direção do órgão transferiu José Martins para uma unidade de conservação em Serrita, no sertão de Pernambuco. A decisão foi anunciada no dia 1º de agosto. A transferência repercutiu entre os pesquisadores de diversas áreas.

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