Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, neste sábado (21/1), em viagem a Roraima, que o governo federal irá realizar uma série de ações na saúde, no desenvolvimento social e na justiça para atender à calamidade pública que foi decretada em Roraima, por conta da crise sanitária vivida pelo povo Yanomami. As Forças Armadas terão papel fundamental em todo o processo em função da dificuldade de acesso e da pesada presença da ação ilegal de garimpeiros.

A Força Nacional de Segurança — que já está presente na região —, profissionais da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar montarão uma estratégia conjunta para uma estratégia de segurança aos profissionais, sobretudo os de saúde que executarão o trabalho.

O alojamento e acolhida será de responsabilidade do Pelotão Especial de Fronteira (PEF), sediado em Surucucu, alojará as equipes de saúde e todos profissionais enviados para a região.

“Vamos tratar os nossos indígenas como seres humanos. Nós vamos dar a eles a dignidade que eles merecem, na saúde, na educação, na alimentação e no direito de ir e vir. Essas pessoas vão ser tratadas decentemente. É desumano o que eu vi aqui”, relatou Lula.

Saúde
A partir de hoje, o Hospital de Campanha da Aeronáutica, localizado no Rio de Janeiro, passará para Boa Vista e a expectativa é que a montagem aconteça no dia 27 de janeiro. Para reforçar o trabalho será enviada uma equipe multidisciplinar com oito profissionais da Aeronáutica para operar na região de Surucucu, que fica no município de Alto Alegre, ao Norte de Roraima.

Ainda hoje também haverá a transferência de equipamentos, material médico e profissionais. Está confirmado a chegada de uma ambulância, o envio de duas barracas de campanha — uma delas com ar-condicionado. Médicos especialistas, membros da Operação Acolhida, que atuam com os refugiados venezuelanos, já foram direcionados para o atendimento na Casa de Saúde Indígena (Casai), em Boa Vista.

O ministério da Saúde enviará uma equipe de 13 agentes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) a Boa Vista para operar no Hospital de Campanha que a Aeronáutica montará.

A pasta instalou o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE – Yanomami) que terá a responsabilidade de cuidar das ações em saúde de forma coordenada com todos os agentes. A responsabilidade da central será da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).

“No caso da saúde, nós definimos que essa situação é uma emergência sanitária de importância nacional semelhante a uma epidemia. É isso que precisa ficar claro. A Saúde está determinada a resolver as emergências. Mas a sociedade tem que estar consciente do que está acontecendo aqui”, sinalizou a ministra da Saúde, Nísia Trindade.

Alimentos
A logística para o envio de 200 latas de suplementos alimentar para crianças, de várias faixas etárias, foi montado. Para os produtos chegarem até o Distrito Sanitário Especial Indígena Leste (DSEI) Yanomami serão feitos cerca de 50 voos em aeronaves de pequeno porte, pois o aeroporto de Surucucu está em obras. Helicópteros auxiliarão na distribuição dos alimentos.

No retorno à capital, os mesmos transportes aéreos ficarão responsáveis por trazer os Yanomami que necessitam de atendimento médico.